Nova forma de Liderar: O que é Liderança Transformacional?

O que se entende por liderança?

Vejamos, antes de mais nada, o que se entende por liderança. É muito comum se confundir líder com chefe ou gestor.

Chefe é alguém de determina o que e como se deve fazer determinada tarefa para se atingir algum objetivo. A preocupação do chefe é o resultado que se pode alcançar, seja no cumprimento das metas organizacionais, seja no sentido de atender às determinações dos superiores. Sua autoridade advém do cargo e se vincula à hierarquia institucional. As pessoas que compõem seu grupo de trabalho são meios de obtenção dos resultados. Daí o termo “mão-de-obra” ou “recursos humanos”, junto com outros recursos para atingir resultados.

Líder, por sua vez, é alguém que prioriza as pessoas da equipe e faz com que assumam a execução de alguma tarefa ou meta a ser cumprida. Neste sentido, acompanho James C. Hunter, autor do livro O Monge e o Executivo, para quem liderança é “a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir objetivos comuns, inspirando confiança por meio do caráter”.

E expando um pouco mais este conceito, para além do contexto empresarial, pois a liderança pode ser exercida em qualquer tipo de organização grupal. Liderança é a habilidade e a capacidade de conduzir um grupo – desde pequenos grupos de amigos ou familiares a grandes organizações e instituições – motivando-o a colaborar voluntariamente na consecução de objetivos comuns.

As duas formas não são opostas, muito menos excludentes. São os dois polos de uma organização produtiva em ambiente agradável de boa convivência. Pois um grupo precisa de gestão para chegar aonde se pretende chegar e precisa de motivação, as pessoas precisam saber para onde e para que vão ou fazem.

As três formas de liderança

Liderança envolve sempre um grupo ou uma instituição. É o jeito de conduzir um campo de relações. Por outro lado, envolve uma dinâmica mental, pois é a estrutura mental do líder que fornece os meios para influenciar a dinâmica do grupo.

Do ponto de vista da inteligência racional, o líder deve ter clara a direção para onde o grupo precisa caminhar, o objetivo a alcançar e saber qual a explicação a ser dada e compartilhada com o grupo. Um líder precisa estar sempre buscando conhecer cada vez melhor o campo de atuação do grupo, para estabelecer claramente sua estratégia de atuação. Um bom líder é alguém que busca estar sempre atualizado, para isso precisa estudar, ampliar os conhecimentos, clarear para si e para o grupo os valores e crenças que dão rumo a suas ações. Ele é um bom líder estratégico.

Do ponto de vista da inteligência emocional, o líder precisa ter sensibilidade para perceber qual o ânimo de sua equipe e ativar a motivação das pessoas, perceber e levar à superação de conflitos, e gerar um clima agradável de entusiasmo e alegria entre os participantes de seu grupo. Ele é um bom líder motivacional e carismático.

Do ponto de vista da inteligência operacional, o líder precisa levar o grupo a saber claramente o que precisa fazer, como fazer, de que jeito fazer e o que se espera conseguir a cada passo. Ele é um bom líder operacional, que faz o grupo realizar o que se propõe.

O que significa transformar?

O verbo “transformar” é uma palavra essencialmente dinâmica. Vem do latim trans + formar. Significa ir além da forma. Forma refere-se a algo já feito, do jeito como se apresenta, como se estrutura. A forma contém um conceito, que é a forma de pensar sobre alguma coisa. Transformar, pois, é ir além que do que está posto, do que é já pensado. É criar algo novo, dando-lhe nova forma, nova estrutura. Transformar é criar uma nova estrutura, é uma mudança radical do conceito que se tem de alguma coisa. Transformar, pois, implica em mudança na forma de pensar.

Transformação é a ação de criar algo novo, de mudar a partir das bases, de mudar a estrutura, a forma como algo se apresenta e também uma mudança na forma de pensar sobre alguma coisa ou fato.

O que significa Liderança Transformacional

Seguindo o pensamento acima, liderança transformacional é uma liderança que consegue levar seu grupo a transcender seus limites, a criar algo novo, para além da rotina, do costumeiro, da tradição, da ordem atual, em busca de uma nova ordem, mais adequada às novas condições e, mesmo, criando novas condições que melhor respondam às necessidades emergentes.

A liderança transformacional não pode ter receio de questionar as crenças, valores e conceitos que prevalecem na velha ordem. Novos conceitos, novos valores, fundamentos mais adequados para a forma e os conceitos que sustentam a ordem atual. É preciso treinar sua equipe a buscar e criar novos valores que deem suporte à busca de novos caminhos, questionar as normas que sustentam a velha ordem, criar um novo modelo de ordenamento grupal, aberto e dinâmico, que sirva de balizamento e de novos indicadores para a busca de resultados mais adequados aos novos tempos.

A liderança transformacional precisa estar aberta à intuição para caminhos novos e precisa também ter coragem para decidir por novos caminhos e estar pronta para pagar o preço. Decidir o que já está nos manuais é ter medo de decidir. Decidir por novos caminhos é saber que se entra num mundo de probabilidades onde tudo é risco.

E, por ser algo novo, caminhos ainda não trilhados, é preciso estar muito atento aos imprevistos. Possivelmente o grupo, e sua liderança, terão torcida contra, aves de mau agouro, que temem o sucesso do novo, pois este tende a mudar a direção da dinâmica de poder do grupo e da instituição que lhe dá suporte.

Por isso, repito, é preciso ter coragem para exercer uma liderança transformacional. O líder transformacional não se adequa ao existente, não se limita a fazer bem feito, o de sempre. A liderança transformacional é a que toma para si a responsabilidade de ir além do que está estabelecido, sobretudo quando percebe que este está defasado, não mais responde às necessidades que emergem para novos tempos.

Conclusão

Podemos concluir que há diferentes tipos de liderança. De modo geral, um líder é alguém com dom e competência de lidar com gente, de conduzir um grupo a realizar suas obrigações segundo o que a organização espera dele.

Em condições normais é o que a organização social, seja família, empresa, entidade sem fins lucrativos, governo ou órgão público espera de suas lideranças.

Mas quando a organização está em crise, num processo de desgaste progressivo, eis a hora de lideranças transformacionais. Lideranças que não vão tentar fazer mais do mesmo, porque o mesmo já deu o que tinha que dar. Daí por diante, só patinação rumo à degradação.

Nesta fase há que emergir alguma liderança verdadeiramente transformadora. Liderança que venha com novos conceitos em respeito ao negócio ou objetivo ou sentido do grupo ou equipe ou organização. Há que ter coragem de propor algo novo, fora da caixinha, como se diz.

Haverá resistências, medos, insegurança, talvez maledicência. É a hora da verdadeira liderança transformacional, que muda os rumos, arrisca novos caminhos, liberando seus impulsos carismáticos, criativos, com muita coragem. Para em seguida tomar as rédeas nas mãos e assumir a coordenação e organização do novo tempo.

“Os problemas que criamos não podem ser resolvidos com o mesmo pensamento que os criou,” já dizia Einstein. A liderança transformacional começa ao nível do pensamento. Começa por ampliar a visão que se tem do momento e ter coragem de romper com as limitações dos velhos esquemas mentais.
Daí por diante, é preciso coragem para correr o risco e paciência para agir com pés no chão. Isto é Liderança Transformacional.