Liberte-se da Prisão Mental

É preciso entender e discernir os referenciais a partir dos quais criamos mundos particulares, e incentivar a utilização de referenciais mais amplos e libertadores para sair das prisões mentais.

Quase 100% das pessoas possuem uma espécie de Prisão Mental. As prisões mentais são a fonte do sofrimento, você sabe como sair delas? Com autoconhecimento. É a sua mente que controla tudo, se a causa do sofrimento for removida, o efeito cessa.

Existem dois tipos de prisão mental: Racional e Emocional. Hoje vamos tratar sobre a Prisão Mental Racional, confira alguns pontos importantes dessa visão:

  • Perceber como um referencial  (ou mentalidade) cria uma realidade; A palavra “referencial” significa como uma pessoa interpreta um acontecimento ou um objeto. 

Para dizer que um objeto é um “lápis” a pessoa precisa ter conhecido o objeto “lápis” antes, deve estar em sua memória como algo aprendido. Então ele tem uma referência interna para poder dizer ou interpretar o objeto como lápis! Assim todos nossos aprendizados e experiências se transformam em referências internas com as quais iremos interpretar, construir e viver nossos mundos particulares;

  • O mundo não está pronto. Ele está sendo construído a cada momento a partir de nossa própria cosmovisão. Isso significa que somos os autores e responsáveis pelo nosso modo de viver e atuar no mundo;
  • É necessário tomar consciência desses diferentes referenciais como estão presentes e qual a realidade que cada uma cria;
  • O mundo não é como eu o vejo. É apenas a minha mente que constrói e interpreta o mundo da maneira como vejo, ou seja, a realidade é criada por nós a cada momento. Não há uma única realidade sólida e verdadeira, mas muitas realidades simultâneas e todas elas são virtuais, criadas e interpretadas individualmente na mente de cada um;
  • Uma determinada dificuldade advém de um ou mais referenciais combinados entre si;
  • A mudança de referencial muda a realidade experimentada pelo observador;
  • Utilizamos diferentes referenciais.

 

Rastreamento dos Referenciais nas Prisões Mentais

Todos os referenciais mentais estão presentes em nós. Somos nós que possuímos a possibilidade de abandonar o uso de um referencial e substituir por outro, ou seja, podemos mudar a forma como interpretamos ou vemos o mundo.

No Mentoring utilizamos este conhecimento dos referenciais para rastrear nosso Mentorado. Por exemplo, na medida em que este faz um relato, procuramos entender o mundo que ele cria a partir dos seus referenciais mentais. Assim, podemos compreender suas dificuldades e auxiliá-lo a superá-las mediante uso de referenciais mais amplos.

É preciso perceber suas próprias dificuldades e desta forma possibilitar a sua mudança de mentalidade.

Os Referenciais são uma Prisão Mental?

A resposta é Sim e Não. 

Um dos pontos mais cegos ao Ser Humano é não ter a percepção e nem o entendimento que a cada instante ele está usando um determinado “tipo” de referencial, os principais estão listados abaixo. 

É um processo “automático e imperceptível” da mente, uma operação mental muito sutil. Quando isto acontece, a pessoa cria uma realidade correspondente àquele referencial. E assim ele age no mundo a partir deste e de vários outros referenciais. 

Quando isto acontece, sua realidade criada na mente se torna muito sólida e verdadeira. E pode acontecer que este determinado referencial crie uma dificuldade, ou um problema na sua vida, e por consequência haverá um determinado sofrimento. 

Neste sentido os referenciais são uma prisão SIM, uma prisão virtual, imaginária, mental. Uma determinada forma de ver e interpretar o mundo não é ou pode não ser capaz de resolver os problemas e dificuldades criadas por ela mesma.

Quando a pessoa não tem consciência que seus mundos são totalmente pessoais e particulares, criados a partir de seus referenciais, podemos dizer que a pessoa se prende às suas Gaiolas Mentais, e dali não consegue sair.

Mas quando a pessoa toma consciência desse mecanismo mental, que ela pode largar e sair de suas múltiplas gaiolas mentais de uma forma automática e instantânea, é como abrir a porta da prisão ou a porta da gaiola e fazê-las desaparecer como num passe de mágica….

O que significa isto? 

Significa que os referenciais mentais NÃO são uma prisão. Se um referencial causa uma dificuldade, apenas busca-se outro referencial, mais elevado ou mais amplo, mais libertador. Assim, não há mais aprisionamento a um determinado referencial, assim nos libertamos das Prisões Mentais.

As decodificações abaixo são muito úteis para compreender um determinado referencial, e se este causa uma prisão mental ou não, de acordo com cada situação ou acontecimento específico. Utilize-as para tomar consciência e mude seu referencial se necessário for, para evitar sofrimentos e dificuldades na vida.

Decodificação dos Referenciais Mentais

Clichês 

São frases prontas, ditos populares. Exemplos: “Deus ajuda a quem cedo madruga”, “Em terra de cego quem tem um olho é rei”, “Em time que está ganhando não se mexe”, “Uma andorinha não faz verão”. 

Embora possam ilustrar uma realidade, seu uso indiscriminado ou inconsciente gera uma visão muito restrita, onde há pouca análise ou discernimento, pois tudo passa a ser rotulado ou obscurecido por um clichê. É muito usado de uma forma quase que inconsciente e impede um bom raciocínio ou o discernimento claro de uma questão. Em ambientes organizacionais os clichês se tornam uma espécie de “verdade interna” que funcionam como bitoladores mentais, como uma barreira para bom desempenho profissional.

Por exemplo, os clichês “Manda quem pode e obedece quem tem juízo”, “Aqui nesta empresa sempre foi assim”, ou “Você é pago para trabalhar e não para pensar” quando utilizados dentro da empresa tornam as pessoas bastante ineficientes e medíocres enquanto profissionais.

Muitas vezes a rotulação de uma pessoa passa a funcionar como um clichê passamos a ver o rótulo e não mais a pessoa, e passamos a acreditar erroneamente que a pessoa é o rótulo.

 

Mítico-mágica 

É uma visão onde a pessoa se prende a crendices populares como: “Gato preto dá azar”, “Passar debaixo da escada dá azar”, “Sou influenciado por um mau olhado”, “Os espíritos me perseguem”, “A mula sem cabeça vai pegar”. Pessoas assim são governadas pelo medo psicológico e carecem de uma postura mais condutora frente à vida.

Apocalíptica 

Acontece quando a pessoa teme e dramatiza o fim de algo, o que a governa é o medo psicológico de mudanças. Por exemplo, “O mundo vai acabar” ou “Nossa empresa desse jeito vai falir”. Existe um total desconhecimento dos inícios e fins dos constantes ciclos de mudança que vivemos naturalmente.

 

Estática, dogmática 

Visão pronta ou definitiva da vida, não cabe nenhuma mudança. Advém de uma rigidez mental, do querer estabilidade ou do medo de mudanças. Um dogma que prende uma pessoa a uma visão definitiva e eterna e inquestionável sobre uma situação. Isto torna as pessoas bitoladas, cegas, cabeças duras e muitas vezes intolerantes.

 

Repetitiva 

Repetição constante de um modelo, sem criatividade de fazer algo novo. A pessoa acredita em algo, não pensa e nem se reformula mais, e repete as mesmas frases, jargões ou pontos de vista. Esta visão impede a pessoa de reformular-se e viverem novos tempos, de adequar-se a novas realidades.

 

Ideologizante 

Referencial no qual a pessoa se prende a uma ideologia, política, religiosa ou filosófica que a defende incondicionalmente e passa a convencer os outros a adotar a sua ideologia. Embora algumas ideologias possam nos ensinar bons princípios e nos dar bases de boa conduta, as visões ideologizantes são unilaterais, impositivas e geram cegueira aos seus seguidores.

Salvadorista 

Normalmente o salvadorista é também um ideologizado, se vê como o dono da única verdade existente e se esforça para que todos sigam seu modelo padrão. Não há percepção que existem muitas formas e diferentes níveis de entendimento do mundo. Quem não segue seu modelo ou crença é considerada uma pessoa errada ou perdida.

É a visão reinante em algumas correntes religiosas ou políticas que pretendem instalar a sua verdade, mesmo que tenham que fazer revoluções e matar milhares de pessoas. A história humana foi forjada a muito sangue e sofrimento por estas visões salvadoristas.

 

Moralista 

Embora a moral seja uma virtude humana, as visões moralistas advêm de uma profunda cegueira, pois são julgativas, rotulantes e condenatórias. Passa-se a impor e vigiar os outros pelos moralismos ou tabus vigentes. Por exemplo, quando o sexo, ou a exposição de alguma parte do corpo é visto como algo pecaminoso, proibido ou sujo, passa a ser reprimido e ser objeto de constante vigília, controle e repressão por parte das pessoas moralistas.

Onde há fortes discursos sobre a moralidade, ali também existe a imoralidade. Uma não existe sem a outra. Quando uma está presente, surge seu oposto automaticamente.

Nada existe separado, uma moeda sempre tem dois lados.

Pessoas centradas e com mentalidade elevada não falam de moralismos, pois em sua visão não há a imoralidade, e, portanto, o discurso da moralidade não surge.

 

Dicotomia 

Surge quando operamos sob uma visão dividida (O “di” da palavra dicotomia vem de dois, ou seja, divido tudo em dois: certo ou errado, bom ou mau, capital ou interior, oriente ou ocidente, sul ou norte, nós ou eles, professor ou alunos, pró ou contra, pai x filho, marido x esposa, produção x vendas, gerente x funcionário, área meio x área fim. Muitas dificuldades e conflitos surgem desta visão onde tudo é dividido em duas polaridades antagônicas.

Por exemplo, na visão dicotômica, se estou na área de produção, vejo a área de vendas como algo separado e sem ligação comigo. Se eu sou pai, vejo o outro como filho, e nisto há uma divisão, uma separatividade. Este raciocínio é muito comum e surge quase que automaticamente em nós, e quando menos esperamos já estamos operando sob a força da dicotomia.

Um enorme esforço deve ser feito para superar a dicotomia, e este esforço deve vir da adoção de uma visão integrativa, de complementaridade e de interdependência entre tudo. Por exemplo, antes de ver o marido ou a esposa, ou pai e filho, ver um ser humano. E se vejo o Humano, nos aproximamos e superamos os papéis.

Professores e alunos dependem um do outro, e, portanto devem caminhar juntos interdependentemente, sem superioridade ou inferioridade, mas com mútua compreensão. Gerentes e funcionários, produção e vendas, médico e enfermeiro, e tudo o mais são aspectos interdependentes e integrados, assim superamos a força das dicotomias. Substituímos o “OU um ou outro”, por E, ou seja, um “E” o outro.

Tecnicista, mecanicista 

Ocorre quando utilizamos a visão analítica, científica e lógica, quando queremos tudo comprovado e explicado. Embora este pensamento sirva para questões técnicas e materiais, se torna muito pequeno para compreender a dinâmica dos relacionamentos, gerenciamento e liderança, pois nos faz perder a visão do Todo e passamos a operar com visões estreitas, parciais e lineares. Assim passamos a pensar que sempre devemos ter fórmulas prontas, ou que tudo deve ser lógico ou que números e gráficos resolvem todas as questões.

O tecnicismo ou mecanicismo gerou grande desenvolvimento tecnológico, mas também criou a figura do especialista de onde surgiu a especialização, o que por sua vez leva a uma visão unilateral e parcial. Embora no mundo atual os especialistas sejam necessários em todas as áreas, estes não devem perder sua visão mais ampla, generalista e integrativa da vida.

A dicotomia no campo da medicina gera muitos males e dificuldades, pois quando um médico perde a visão do Todo do paciente e vê apenas um estômago ou uma perna de forma mecânica, sua atuação passará a ser parcial e sem comprometimento. A vida profissional passa a ser vista como um mero mercantilismo.

Assim também em escolas, hospitais, organizações, no governo e em empresas, muitas vezes tudo é regido pelo pensamento dicotômico e mecanicista, gerando sérios problemas e dificuldades.

Numa empresa, quando há predominância da visão mecanicista e separativa, uma crença é que “se cada um cuidar bem do seu setor, a empresa funcionará bem”. Mas isto não é verdade, todos devem cuidar muito mais do conjunto do que das partes. Um gerente de uma empresa precisaria utilizar 80% do seu tempo para cuidar das implicações e relações de sua área com todas as demais áreas e clientes, e em torno de 20% do tempo cuidar das questões internas do seu setor. Assim se criará uma verdadeira sinergia e todos cuidam do Todo da empresa.

 

Específico 

Nos tornamos específicos quando estamos utilizando os referencias e visões próprios de uma determinada área de conhecimento. Geralmente esta visão que vai até os limites ou muros da área pode ser muito perigosa. Embora seja a forma dos profissionais de uma mesma área se comunicar, pode levar pessoas a olharem o mundo sob a sua visão específica.

Acontece muito com profissionais que, por exemplo, vêem o mundo sob a visão da medicina, da engenharia, da psicologia. Muitas vezes o olhar específico pode ser muito limitante e muito bitolador. Não há como ver o Todo a partir de uma única visão.

Este olhar unilateral gera um pensamento comparativo – o que por sua vez vai gerar uma nova dicotomia do tipo certo x errado, aceito x não aceito, a favor x contra, bom ou mau. Não é possível ver o mundo dinâmico, mutável e interdependente sob um mesmo prisma específico. Porém, ao tomarmos consciência que estamos operando sob uma visão específica, podemos mudar e superar esta prisão.

 

Interdisciplinar 

Quando adotamos a visão da interdependência de tudo, professor depende de alunos e vice-versa e caminham juntos, professores de química e física trabalham integrados, uma disciplina complementa a outra. O pensamento interdisciplinar ocorre quando buscamos conhecer, compreender e até integrar com outra disciplina ou área de conhecimento. Nas empresas e no convívio humano a interdisciplinaridade gera uma cooperatividade e mútua ajuda. Para adotarmos uma postura prestadia, devemos operar, no mínimo, sob a visão interdisciplinar.

Multidisciplinar 

A visão multidisciplinar surge quando procuramos ver um determinado aspecto sob as mais variadas especializações diferentes, ou seja, profissionais de diferentes áreas se reúnem sobre um tema e isto aumenta consideravelmente a capacidade de percepção e entendimento. Hoje em dia está em voga equipes multidisciplinares em empresas e organizações, uma tentativa muito válida de ampliação de visão e resultados.

Transdisciplinar 

Quando buscamos ir além das disciplinas e adentramos no espaço ilimitado do conhecimento e da sabedoria. Neste nível há maior grau de liberdade sem a prisão aos dogmas de cada disciplina como ocorre na visão específica.

Holístico 

Holos significa o Todo, ou seja, ter uma visão abrangente, ampliada, de cima. Ver toda a empresa e não apenas uma parte. Ver toda a cidade e não apenas sua casa. A visão holística é ver o Todo na parte, e esta parte ligada ao Todo. Trata-se na verdade do Contido-Conter que já falamos no início do curso é a maior cosmovisão possível ao Ser Humano, onde ele se integra com o Todo e supera as visões separativas, menores.

A visão holística é muito antiga, mas é simultaneamente muito avançada e é a grande busca humana,  e relativamente poucas pessoas a alcançam. A visão holística, quando compreendida em profundidade, nos faz religar ao Todo e nos torna Unos, completos e perfeitamente felizes. Todos nós queremos algo maior e mais libertador, e isto podemos encontrar na visão holística.

Nas organizações e empresas é muito importante que os gerentes e dirigentes atuem a partir de uma visão holística, o que vai gerar a Excelência Organizacional. A visão holística caminha de mãos dadas com a visão sistêmica, e na realidade precisamos uni-las para atuarmos no nível holístico-sistêmico ou holo-sistêmico.

 

Sistêmico 

A visão sistêmica é a interligação de tudo, a interdependência, nada existe separadamente. Tudo depende de tudo. Para vivermos precisamos do ar, da água, da terra, do fogo e sem estes elementos não existiríamos. Um objeto é formado a partir de elementos, e sem eles o objeto não poderia existir. Uma coisa gera a outra e assim por diante, indefinidamente. Uma empresa só existe por que todos os recursos, processos e pessoas estão lá presentes. Então numa folha de papel podemos ver a árvore, a chuva, o sol, a terra, e os operadores das máquinas de fizeram o papel.

Uma pessoa que não foi ao trabalho num dia afeta toda a empresa, um radar de aeroporto que deixa de funcionar por algumas horas afeta vários vôos que afetam muitas pessoas em cidades muito distantes do aeroporto onde o radar falhou. Tudo é movimento e mudança, é conexão, uma rede complexa de relações. Nas organizações há necessidade de ações coordenadas e harmônicas das pessoas.

Ter visão sistêmica implica trabalhar em equipe, onde cada membro contribui para a coletividade com aquilo que tem de melhor. Implica em conhecer as variáveis que afetam de forma significativa os resultados. Os sistemas abertos, como as organizações humanas, são dinâmicos e não podem ser tratados como se fossem estáticos. 

Por meio da visão sistêmica, fica fácil compreender o porquê de se levar em consideração, de forma equilibrada, as necessidades dos clientes, dos empregados, dos acionistas e da sociedade em geral.


Conclusão das Prisões Mentais

Reforçando alguns pontos:

  1. Nós usamos todos estes referenciais, todos estão na nossa mente. Nenhum deles é melhor ou pior, apenas têm energias diferentes e criam realidades diferentes.
  2. A questão mais fundamental é saber quais destas mentalidades estamos usando e qual a realidade – dificuldades e facilidades – que construímos a partir dela.
  3. Podemos treinar e nos educar para utilizar referenciais de maior energia, isto significa ampliar a visão.
  4. Através deste quadro podemos rastrear nosso Mentorado e perceber a visão que gera a dificuldade do mesmo. Assim podemos fazer perguntas adequadas que podem ajudar no Mentoring.
  5. Podemos usar estes modelos para que o Mentorado procure obter visões de energia mais elevada e assim possa evoluir e superar-se.

Para ter uma mentalidade elevada é necessário ter consciência. Pessoas com muitos conhecimentos ou com títulos de mestrado e doutorado podem atuar no mundo com mentalidades bastante restritas.

Outro aspecto importante é cultivarmos um estado mental mais positivo na nossa vida. Vermos pelos aspectos positivos, elogiar, reforçar, melhorar. Quando positivamos a mente, deixamos de pensar que “é necessário combater o mal”, ou “é necessário combater a doença”, mas passamos a falar que precisamos promover o bem ou a saúde, e isto muda radicalmente o sentido e a atitude das pessoas.