3 Sugestões de Dinâmica de Grupo Integrativas e Sistêmicas

Dinâmica de Grupo é a energia que se expressa num grupo e o conduz.

E o que é um grupo?

Entende-se por grupo um conjunto de pessoas agregadas em torno de um objetivo comum, que, ao se formar, cria uma dinâmica própria acompanhada por uma energia que vai ondulando e mudando conforme o momento vivenciado por seus componentes.

Há uma força energética que influencia o grupo em diferentes aspectos. Esta força impulsiona o grupo simultaneamente em três direções. Um grupo tem sempre uma força ordenadora, que dá direção e coordenação. Ao mesmo tempo o grupo tem uma força questionadora, criativa e inovadora. E uma força muito grande que busca o equilíbrio dinâmico e harmônico entre as forças, permitindo a operacionalidade positiva do grupo.

Construir sinergia grupal é construir relacionamentos de confiança que permitam o crescimento e aprimoramento de competências e experiências dos membros do grupo. Num grupo que possui sinergia há um compartilhamento das mesmas emoções e comportamentos nos relacionamentos.

Energia grupal também aparece como clima, que se percebe no grupo em cada etapa ou momento em que ele se encontra, clima que se cria a partir de fatores variáveis que se constroem na inter-relação entre os membros. É o campo energético grupal ou tensor grupal, que pode integrar ou, quando negativo, desintegrar um grupo.

Por isso é muito importante promover junto aos grupos variados exercícios que promovam diferentes aplicações, segundo a necessidade do grupo ou da instituição à qual o grupo está ligado, tais como: integrar novos funcionários; desenvolver um clima de discussão e reflexão; identificar novas lideranças; integrar melhor o grupo; promover mudanças de cultura; encontrar soluções criativas e muitas outras.

Neste texto, quero destacar alguns exercícios que promovam maior integração grupal, bem como uma consciência sistêmica do conjunto de implicações de suas atividades, seja no campo pessoal dos participantes, seja no grupo como um todo e quanto pode influir na instituição a que se conecta, ou à consciência de pertencer à comunidade onde convive.

Os exercícios costumam ter um facilitador, a quem cabe conduzir a dinâmica e compete a ele indicar ao grupo o objetivo da proposta ou levar o grupo a definir seu objetivo.

Exercício 1: Espelho

  1. O coordenador prepara papeizinhos com números de 1 a quantos forem os participantes de grupo – 2 vezes a mesma coisa.
  2. Coloca os papeis todos numa sacola e mistura tudo.
  3. Cada participante tira dois papeis numerados. Se repetir o mesmo número, devolve-o à sacola e pega outro número.
  4. Quem pegar o número 1 primeiro começa e pergunta quem é o outro que tem o número 1.
  5. O primeiro olha para o colega e fala ao grupo o que posso aprender com o colega que tem o mesmo número.
  6. Este segundo busca o colega que tirou o mesmo número e repete: o que posso aprender com o colega de número… E assim por diante, até todos terem passado pela mesma experiência.
  7. Os participantes fazem agora uma roda e se abraçam e o facilitador convida a quem quiser expressar ao grupo como sentiu o exercício.

Exercício 2: Sensibilização

  1. O facilitador convida os participantes a vir para o meio da roda e a caminharem calmamente, se cruzando aleatoriamente.
  2. Os participantes vão formando duplas conforme vão se aproximando.
  3. O facilitador coloca uma música suave (Enya, Vangelis, Kitaro, Lorena, etc.).
  4. Nas duplas, as pessoas se colocam frente a frente e, com mãos abertas, tocando somente as pontas dos dedos, e começam a dançar lentamente, seguindo a melodia. Em silêncio e procurando sentir a música em seu interior e buscando conexão interior com o(a) acompanhante.
  5. O facilitador reforça, se sentir necessidade, que as pessoas sintam ao mesmo tempo a música e o toque suave do(a) companheiro(a).
  6. A um convite do facilitador, as duplas se abraçam e voltam lentamente para seus lugares.
  7. O facilitador convida os participantes a compartilharem com o grupo o que sentiram.

Exercício 3: Conexões sistêmicas

  1. O facilitador convida as pessoas a, cada uma, procurar uma flor ou folha ou galhinho ou pedra (se houver um pátio ou jardim próximo), ou cada um procurar um objeto na própria sala (lápis, papel, relógio, anel, celular, chinelo, blusa, etc.).
  2. O participante com seu objeto busca meditar um pouco sobre o porquê de escolher tal objeto, o que ele mesmo tem em comum com o objeto ou o que o objeto (flor, folha, etc.) fala a ele mesmo.
  3. De volta ao grupo, cada um apresenta seu objeto e fala o que viu nele, como o sente, em que são iguais ou parecidos. E depois faz seu objeto dizer ao grupo o que ele tem em comum com todos ali e com a empresa ou instituição em que convivem.
  4. Uma mezinha ou cadeira no centro do grupo – cada um, ao terminar sua fala, leva o objeto até a mesa e aos poucos vão compondo uma mandala.
  5. O facilitador conduz o grupo a se ver representado na mandala, a ver como num grupo tudo se interliga, como a tudo podemos dar uma significação.
  6. Termina o exercício com um abraço grupal em torno de mandala por eles construída.

Conclusão

Nascemos num grupo, crescemos e aprendemos a viver e a lutar em sucessivos grupos, que eram para nós suporte e desafio ao mesmo tempo. Tivemos que aprender a viver por nossas próprias forças e a compartilhar com outros sem perder nossa identidade.

Exercícios como os propostos, e inúmeros outros a serem criados, visam principalmente levar as pessoas a se auto afirmarem frente a si mesmos e frente às demais pessoas de convivência, bem como a compartilhar com outras pessoas suas próprias experiências e seu próprio esforço de construção de um mundo mais humano e produtivo, onde a disparidade é a riqueza comum quando levada com respeito às individualidades, às verdades de cada um, em busca de sincronia, de sinergia, que é a forma de ser de todos os seres. Os seres não convivem porque são iguais, mas convivem porque se respeitam mutuamente, cada em sua forma de ser e de se conectar.

Aprendemos em grupo que todos somos um em diferentes expressões desta mesma unidade. Percebemos no grupo as conexões que nos ligam e as diferenças que nos enriquecem, numa permanente aprendizagem e ampliação de visão e consciência de quem somos neste mundo.

Este é o sentido mais profundo dos exercícios de dinâmica de grupo.