Como lidar com Jogos de Poder no Trabalho

Você já pensou em quanto desgaste de energia no trabalho você tem tido por causa de jogos de poder? Você sabe como lidar com esses jogos de poder? Vamos entender o que é poder e como lidar com os jogos de poder no trabalho.

Ter poder significa ser capaz de alguma coisa, ter força para fazer acontecer. Poder, portanto, tem que ver com energia efetuadora, energia que faz acontecer, realizadora.

Trazida para o meio humano, o poder tem tudo a ver com o campo das relações humanas. Neste campo, tem poder aquele que é capaz de fazer acontecer alguma coisa, é quem faz convergir as energias à sua volta para realizar algo. O poder, pois, é sempre relacional. Tem poder quem faz pessoas e grupos realizarem algo. Inclusive, tem poder quem determina o que deve ser feito e então reúne forças para que isto aconteça.

É por isso que as relações de poder têm a ver com psicologia, sociologia, economia, política, enfim com todo o universo das formas de relacionamento entre os seres humanos. A grande questão aqui é quanto poder alguém tem em referência a outras pessoas e grupos e de que jeito lidar com o poder.

A polarização do poder

Um aspecto fundamental para se entender o poder e sua rede de relações é o da distribuição do poder.

Tudo no Universo é energia e, como tal, é energia polarizada: polos positivo, negativo e neutralizador; elétron, próton e nêutron; convergência, divergência e emergência; masculino, feminino e reprodução. É a Teoria do Princípio Triádico, princípio este atuante em todos os níveis e esferas, presença comum a todas as realidades, desde o átomo até as galáxias.

Então também no universo das relações humanas existe esta distribuição polarizada. No ser humano, da mesma forma, atuam energias polarizadas. Onde duas ou mais pessoas se encontram, a polaridade estará atuando. Pode ser um pequeno grupo, uma equipe de trabalho, um grupo de amigos, uma família, uma escola, uma igreja, uma empresa, uma comunidade, um município, um estado, um país, ou as relações internacionais.

As polaridades subgrupais nos jogos de poder

Eis como atuam as polaridades:

  • Um dos polos na convivência humana atua como ordenador e direcionador da energia grupal. A este polo denominamos Movimento Oficial do grupo. O Movimento Oficial é o organizador, o coordenador, o condutor, que assume a ordem e o comando do grupo, dando-lhe direção e cuja autoridade é assumida pelo grupo ou a ele imposta. É ele que faz o grupo funcionar dentro de seus objetivos, organizando o tempo de função do grupo/equipe/instituição/estado.
  • Outro polo age como força de mudança e redirecionamento da energia grupal. A este polo denominamos Movimento Natural do grupo. O Movimento Natural é o inovador, o questionador, o transformador, atento a tudo que tende a se esgotar e entrar em sobrefunção (aquilo que já deu o que tinha e está superado). É ele que prepara o grupo para a reformulação em busca de novas formas ou funções ou ações, evitando que o mesmo se desgaste em patinações ou mesmo em explosões. É ele que tende a se tornar o novo Movimento Oficial na construção do novo tempo.
  • Oscilando entre estes dois polos flui um campo neutralizador e estabilizador do sistema grupal, equilibrador das tendências, ao qual denominamos Movimento Oscilante. O Movimento Oscilante atua no grupo como o moderador das tensões polarizadas entre o oficial e o natural, como o cooperador, integrador. É ele que, ora pendendo para o movimento oficial, ora para o movimento natural, permite as articulações, tornando-se o conciliador dos extremos. Frequentemente assume temporariamente a oficialidade do grupo quando, em fase de mudança, o mesmo está em busca de novo ponto de equilíbrio de suas forças.

Os grandes impasses em que mergulha a humanidade em sua evolução histórica, seja na família, em grupos de amigos, em empresas ou no campo político, acontecem em função do desequilíbrio energético provocado pelos jogos de poder, que quebram a harmonia dinâmica das polaridades energéticas.

Aqui é de suma importância fazer uma distinção. Em um grupo que está em relativo equilíbrio nas relações de trabalho, os três polos estão em movimento dinâmico, buscando um equilíbrio de forças para realizar suas funções, seus objetivos. São os chamados movimentos grupais, onde os três polos atuam para o ganho do grupo como um todo, para unir forças no sentido de alcançar seus objetivos.

Como acontecem os jogos de poder?

Quando a dinâmica entre os movimentos grupais se desequilibram muito, aí os jogos de poder tomam conta, com grande desgaste dos participantes do grupo.

Como o lado oficial é o regulador e coordenador do sistema grupal em seu funcionamento, ele vai estar sempre presente em qualquer grupo e é necessário. Mas, quando se torna jogo de subgrupo oficial, ele tende a sugar as energias do grupo ou da sociedade em proveito próprio, retribuindo migalhas aos demais de forma a que se mantenham submissos e produtivos.

Isto gera tensões do lado natural, produz reações, faz o oscilante tender a se bandear para o lado natural, ameaçando uma reordenação do sistema. Aquilo que era movimento energético grupal passa a ser jogo subgrupal. E não se controla essas reações com mais normas e leis, que tenderão a ser inúteis.

E o lado natural do movimento grupal tende a ir a extremos, transformando-se no jogo subgrupal natural, e passa a fazer jogo de poder, buscando atingir o oficial. Torna-se contestador, obstrutor, anárquico, virulento, insuflador, divisionista. Tenta atrair para seu lado o subgrupo oscilante, com o qual buscará derrubar o oficial.

Isto não ocorre somente no grande jogo de poder político, mas acontece nas escolas, nas igrejas, nos clubes esportivos – seja onde for, haverá tendência a se promover jogos de poder, isto é, um subgrupo querendo se impor aos demais. Em algumas instituições, onde o poder é monocrático e piramidal, o subgrupo oficial tende a aniquilar o natural, expulsando, demitindo, ameaçando. Nesse caso, o movimento natural vai corroer a autoridade no grupo ou instituição, levando-os a sérias crises que podem chegar à guerra e à aniquilação.

Como lidar com jogos de poder no trabalho?

A melhor maneira de lidar com os jogos de poder no trabalho ou em outra atividade é não centrar nos jogos de poder, mas desenvolver os movimentos positivos: melhor organização, mais abertura para inovação e promover a harmonização e a paz de forma consciente.

Quero dar uma dica muito importante de como lidar com os jogos de poder no trabalho ou em outras formas de ação grupal: não se corrigem jogos de poder; o que se pode realmente fazer para obter uma convivência mais harmônica e produtiva é ativar os movimentos de organização e direção (lado oficial), promovendo os movimentos de inovação e mesmo de questionamentos (lado natural), buscando criar clima que coloque os oscilantes em movimento em direção aos objetivos a que o grupo se propõe.

Quando se promovem, conscientemente ou não, os jogos de poder, o grupo ou a instituição só perde, mesmo quando aparenta ganho imediato. Aos poucos o desgaste, os conflitos, a luta pelo poder vai ganhando espaço, gerando um clima de guerra, quase sempre de corrupção, com prejuízo para a organização como um todo, sobretudo para os objetivos da organização.

Promover jogos de poder explica o comportamento da maioria dos funcionários numa instituição autocrática, pública ou privada. Uma parcela dos oscilantes passa a agir de forma submissa a seus chefes. Estes passam a ser bajuladores, oportunistas e barganhadores, prontos a tirar proveito do jogo entre os outros dois subgrupos. Outra parte dos oscilantes passam a se comportar como reclamadores, gostam de fofocas, são omissos, fazem corpo mole, fazem de conta.

Um grupo vai bem quando o oficial cumpre sua função organizadora e direcionadora do sistema, mas abre espaço para que ocorram as mudanças que vêm pelo polo natural, e prepara as novas lideranças com espírito aberto às necessárias e contínuas mudanças. E pressuriza os oscilantes de modo a não caírem na omissão (corpo mole, preguiça, faz-de-conta), nem na barganha, mas participem como corresponsáveis pelo todo e como elementos de equilíbrio dinâmico do grupo.

Conclusão

O poder se expressa nas mais diversas relações sociais, e onde existem relações de poder, este se manifesta de muitas formas, podendo ser gerador de movimentos grupais equilibrados ou jogos de poder que desgastam as energias da comunidade.

Há que ter paciência, pois somos herdeiros de uma cultura autoritária, desde a família. E nossos chefes geralmente não aprenderam a agir de forma diferente. Através de ações de consultoria, coaching ou mentoring podemos atuar no sentido de ajudá-los a ampliar sua visão. À medida que incorporam uma nova visão eles são os primeiros a agradecer, em função de tudo o que acabem ganhando.

Compreender essas dinâmicas dos jogos de poder e estar atentos a eles é uma das mais importantes competências das lideranças em quaisquer grupo. Até mesmo nas famílias, a auto observação é de suma importância. Como pai, como mãe, como filho ou irmão, é importante entender como me comporto e de que forma devo atuar de modo a manter o grupo mais harmonizado.

Isto é ainda mais importante nas empresas, num momento em que a consciência do respeito aos direitos das pessoas está em plena ascensão, existe hoje um imperativo intransferível para a criatividade e a renovação, para a criação de clima com mais paz e harmonia nas relações, em ambiente agradável e alegre, promovendo o desenvolvimento individual e grupal de equipes comprometidas, assumindo em si mesmo os três movimentos: sejam os próprios organizadores e direcionadores, sejam os próprios questionadores e inovadores, sejam os próprios harmonizadores, conciliadores e articuladores.

Lideranças que se proponham a desenvolver este ambiente promoverão progressivamente a superação dos jogos de poder no trabalho e na convivência, ativando verdadeiros movimentos grupais que incentivem a permanente construção de uma convivência mais harmônica e abundante.