Menos Likes, mais Amor Próprio

Será que likes ou curtidas da internet influenciam o nosso amor próprio?

Mas, o que é o amor próprio? Para saber o que é amor próprio, vamos ver o que é amor.

Amor é uma emoção ou sentimento que leva uma pessoa a desejar o bem a outra pessoa ou a uma coisa. Podemos também dizer que o amor é um sentimento de carinho e afeto que se desenvolve entre os seres. Temos diversos tipos de amor: amor materno, paterno, fraternal, amor à vida, amor próprio, e tantos outros.

Amor próprio, então, é o carinho que se tem por si mesmo. É buscar o bem estar para si mesmo. É sentir-se feliz com a própria vida do jeito que ela é.

Qual a influência da internet na vida das pessoas?

Com a velocidade com que voam as informações nas atuais condições, conseguimos nos manter informados em segundos. Cada vez mais estamos conectados a nossas redes sociais e sites de notícias. É a tecnologia cada vez mais entrando em nossas vidas e criando conexões antes inimagináveis.

A tecnologia é algo fantástico. Pode nos ligar às pessoas, mas pode também proporcionar isolamento das pessoas. É esta contradição que é fascinante.

Nossa cultura mudou, as pessoas mudaram e a forma com que nos relacionamos também vem mudando.
Ao longo dos anos, nossa vida tem sido influenciada pelo poder das redes sociais. Este poder está ligado à forma como nos relacionamos on-line e seus efeitos sobre as conexões do nosso mundo real.

Sabemos que o poder das redes sociais influencia a motivação das pessoas conectadas, aumentando a probabilidade de assimilação ou mudanças de pensamento e comportamento.

A internet exerce influência em nossa vida. Ficamos mais expostos e dependentes das redes sociais. Publicamos algo e ficamos verificando quantas pessoas curtiram nossa publicação, quantos likes nossa publicação conseguiu.

Quanto mais likes, mais eu me amo, mais eu me acho, mais eu sou eu… Quanto mais tempo passo diante da telinha, mais propensão a não mais me encontrar, a me sentir esquecido, infeliz.

Precisamos ser orientados para que nosso amor próprio não esteja vinculado aos likes que recebemos.

Cultivando o amor

Segundo Erich Fromm, o amor é uma atividade, e não um afeto passivo; é um “erguimento” e não uma “queda”. De modo mais geral, o caráter ativo do amor pode ser descrito afirmando-se que o amor, antes de tudo, consiste em dar, e não só em receber. É, pois, uma atividade ativa, envolve um querer e fazer e, por isso, pode ser direcionado, pode ser pode ser cultivado, ampliado, compartilhado mais.

O amor é algo simples, que não precisa de muita coisa, nem de muita técnica, para acontecer. Mas necessita de grande vontade para permanecer. Ele precisa ser cultivado dia após dia.

O amor tem mil maneiras de se manifestar, mas a mais bonita é o amor próprio. Eu não consigo amar ninguém e a mais nada se não me amo. O principal cultivo do amor é o amor por si mesmo, é o amor próprio. É este que pode se expandir e ser compartido.

O que é amor próprio?

Hoje em dia, se fala muito sobre amor próprio. Em tempos em que se prega que precisamos ter boa aparência, enriquecer e ser bem sucedidas em tudo, as pessoas se sentem carentes, reprimidas, confusas e diminuídas quando não alcançam o que a propaganda, as mídias e o sistema difundem como fórmula de realização pessoal e sucesso. Diante desse contexto, o que é, realmente, se amar?

O amor próprio é o amor que as pessoas têm por si mesmas. O amor próprio depende do autoconhecimento. Para se amar é preciso ter controle emocional, procurar entender-se e entender as pessoas, estar de bem com a vida, saber perdoar-se e perdoar aos outros.

Vivemos em um tempo onde precisamos ter boa aparência, enriquecer e sermos bem sucedidos em tudo. Vivemos em um tempo de redes sociais, que nos aliciam, nos empolgam e emocionam, que buscam determinar nossas crenças, valores e escolhas de toda ordem.

Isso implica em nossos comportamentos e em nossos investimentos pessoais. Pode nos levar a confundir o amor próprio com projeções externas, tais como aparência, situação econômica. Com o avanço das redes sociais perdemos num emaranhado de ligações e opções que nos confundem. Leva-nos a nos confundir com ter muitos amigos nas redes e provocam infinidades de curtidas, dos chamados likes.

Cultivando o amor próprio

Podemos ter tudo o que desejamos e não ter amor próprio, pois não aprendemos a nos amar, não aprendemos a cultivar o amor por nós mesmos. Ficamos dependentes da aprovação e da admiração dos outros, do reconhecimento dos outros para nos sentirmos bem.
Para cultivar o amor próprio é preciso eu me aceitar como sou. Aceitar as coisas boas e as deficiências que temos; nossas qualidades e defeitos; nossos pontos fortes e nossos pontos fracos.

  • Aceitar não quer dizer acomodar-se. Aceitar é saber que sou assim, dizer sim para o que sinto que sou, ‘eu sou assim e posso melhorar’, ultrapassar os limites e as limitações.
  • Aceitar quer dizer ser mestre de si mesmo.
  • Ter amor próprio é saber se cultivar. Ter amor próprio, então, poderia ser uma forma de egoísmo?
  • Uma pessoa egoísta é aquela que se coloca no centro do universo, que prioriza a si mesmo em relação aos outros, que luta para ganhar dos outros, quer ser sempre mais que os outros.
  • O amor próprio é diferente do egoísmo, pois a pessoa aceita a si mesmo como ela é, se pacifica interiormente e não depende da admiração alheia.
  • Sabemos o que significa amar outra pessoa. Mas, e quanto a amar nós mesmos?
  • Amar a nós mesmos é nos tratar com carinho e generosidade. É saber abraçar a si mesmo. É aprender a gostar de si mesmo.
  • Ter amor próprio implica em sermos justos, sermos capazes de olhar para nossos acertos e erros, reconhecer os obstáculos e ultrapassá-los.
  • Ter amor próprio é sabermos delimitar nosso campo pessoal, não permitindo que outros nos invadam e se apropriem de nossas forças. É não engendrarmos conflitos em nosso meio, nem entrarmos em conflitos que tentam nos engolir para desgastes energéticos destrutivos e desgastantes.
  • Ter amor próprio é pagarmos os preços por nossas decisões, seja colhendo os frutos positivos delas resultantes, seja assumindo os erros e problemas que possam causar a si mesmo e às outras pessoas e ao meio de convivência.
  • Ter amor próprio também é não querer para si os elogios e louvores de ações que não são suas ou não lhe são devidas, encampando para si realizações alheias.

Conclusão

O fantástico desenvolvimento dos meios de comunicação proporcionados pela internet nos dá a oportunidade de compartilharmos com uma imensa gama de pessoas, notícias, vídeos, reflexões, divertimentos, e toda a gama de informações.

Muito nos enriquecemos e nos divertimos com o que chega até nós através de computadores, smartfones, celulares, etc.

Por outro lado, se não nos dermos conta, poderemos nos perder nas informações e pretensos conhecimentos alheios, que nos desviam de nossas próprias escolhas de caminhos de vida. Podemos ser vítimas de interesses e ideologias que não só não nos servem, como podem nos encampar como vítimas inconscientes e nos tornar coniventes com artimanhas que podem nos prejudicar e prejudicar outras pessoas e mesmo à comunidade e ao meio ambiente.

Ter amor próprio é sobretudo despertar nossas consciência limitada para o imenso potencial de autodesenvolvimento que temos. É despertar nosso potencial de amar e ser amados. E trilhar caminhos por nós mesmos escolhidos rumo à autorrealização e à felicidade.

Um verdadeiro amor próprio nos solicita estarmos prontos para aprender sempre e a cada momento, para expandirmos nossa capacidade de conhecer, amar e fazer acontecer. De viver uma vida plena.