Entenda as oportunidades de crescimento em cada setênio da vida 

Setênio é uma palavra que provavelmente você já leu ou escutou em algum lugar. Só pela forma da palavra você consegue perceber que ela está relacionada ao número 7. Sim, de fato setênio significa um período que compreende 7 anos. Você sabe dizer o que muda na vida de uma pessoa em 7 anos? Setênios estão relacionados ao ciclos de vida e eu vou te explicar melhor tudo isso a seguir.

Os setênios explicam as diferentes fases que passamos na nossa vida como um processo de evolução e abertura ou ampliação da consciência.  As passagens de um setênio ao seguinte por vezes significa um tempo ou período de reformulação, de maior questionamento e por vezes cheio de dúvidas, impasses ou crises existenciais.

Por que os ciclos de vida são divididos em setênios?

O número 7 está presente em diversas culturas, para algumas ele também é considerado um símbolo místico, além de representar um período de grande introspecção que antecede o florescimento de uma nova consciência.

Durante 7 anos, entramos em contato com novas experiências, aprendemos a compreendê-las e a lidar com elas, para que, no ciclo seguinte, seja possível aplicar a Sabedoria que incorporamos identificando nesta nova etapa outros desafios e perspectivas. Não paramos de aprender nunca! Os setênios são uma forma de organizar nosso entendimento sobre cada ciclo de vida que nos ajudam a focar no desenvolvimento das competências ideais mais solicitadas em cada período.

Setênios e a Antroposofia

Rudolf Steiner, idealizador da Antroposofia, propôs que esta leitura da vida organizada em setênios faz parte do modo como o homem pode construir seu conhecimento sobre si para buscar um entendimento maior sobre o mundo que o rodeia. Um olhar atento e observador para o individual permite vislumbrar o que há no Todo. Conhecer as descobertas e desafios que cada ciclo da vida agrega facilita o reconhecimento das qualidades necessárias para vivenciá-las com plenitude.

A Antroposofia está aplicada em diversas áreas do conhecimento humano, como na saúde, agricultura, educação e desenvolvimento pessoal e organizacional. E sua pedagogia é utilizada no mundo todo.

A teoria dos setênios surge então como uma possibilidade de interpretação os ciclos da vida que começam e terminam de sete em sete anos. Este intervalo possui diversas correspondências com o ritmo do desenvolvimento humano e também na natureza, por isso o número 7 não é algo aleatório.

Em cada ciclo, passamos por etapas de reconhecimento e adaptação, aprendizagem e transformação, e desenvolvemos habilidades que nos preparam para o próximo ciclo.

A teoria dos setênios distingue três grandes fases de profundas transformações:

  • Período inicial da vida, de quando nascemos até por volta dos 21 anos. Quando estamos formando nosso corpo, nossa mentalidade e também buscando afirmar nossa identidade diante do mundo.
  • Fase das grandes perguntas, entre 21 e 42, aprendemos a ser adultos, a fazer escolhas que vão além de nossos gostos pessoais e passamos a interagir em sociedade com todo conhecimento e experiência que fomos adquirindo nesse período.
  • Depois, atingimos a maturidade, a partir dos 42 estamos dispostos a ouvir o mundo, estamos inclinados à experiência da espiritualidade e agimos com mais Sabedoria.

Agora que você já tem uma noção inicial sobre o que significa o setênio, vamos ver mais de perto as oportunidades de crescimento que cada um deles oferece.

A primeira infância: de 0 a 7 anos

Logo nos primeiros anos de vida, nosso contato com o mundo vem através da experiência com a família. Esta fase é marcada pelo começo do desenvolvimento do corpo, ocorre a formação da percepção do ser como um indivíduo e não mais como uma extensão da mãe. A personalidade começa a ser moldada pelo ambiente no qual a criança está inserida e tudo o que ela vivenciou será guardado, influenciando a interpretação dos acontecimentos dos ciclos seguintes.

Dentro da pedagogia Waldorf, que tem como base filosófica a Antroposofia, neste primeiro setênio é importante ajudar a criança a desenvolver uma imagem positiva do Ser Humano e da Natureza em que vive. É o começo da jornada de autoconhecimento. Se esta imagem formada sobre o Mundo for positiva, a criança se sentirá confortável em conhecer-se, em experimentar a felicidade de viver e isso a acompanhará por toda vida.

O papel dos pais como mediadores do mundo é importante nesta fase, é preciso deixar que a criança experimente seus limites brincando ao ar livre e em contato com ambientes naturais.

 

O processo de autoafirmação: 7 a 14 anos

A aprendizagem, antes muito centrada na construção da mente, agora passa a dar destaque para o corpo neste segundo setênio.

É uma fase em que o coração e o pulmão começam a ser notados pela percepção, as emoções criam “apertos no peito”, aceleram os batimentos cardíacos ou o ritmo da respiração são descobertas desta fase.

Figuras de autoridade como pais e professores influenciam na abertura ou encurtamento da visão de mundo. Receber a criança com muita austeridade pode levá-la a um senso de que a vida não pode ter alegria, escorregar no excesso de mimos e zelo, por outro lado, pode torná-la frágil para as experiências que virão na fase adulta. É preciso ter equilíbrio ao apresentar à criança situações que testem suas habilidades sobre como podem agir com os outros adquirindo suas primeiras responsabilidades.

O exercício da autoridade pode impactar na saúde integral da criança, se ela precisa “inspirar” muitas ordens e comandos, pode se tornar introspectiva e muito tímida, porque tem pouco espaço externalizar o seu “eu”. Problemas respiratórios são comuns neste tipo de dinâmica familiar. No entanto, se a criança não é apresentada a nenhum tipo de limite, pode não perceber o momento de parar, se colocando em risco ou não respeitando o espaço dos demais.

Um olhar atento às necessidades da criança vai direcionar o equilíbrio necessário para conduzi-la ao próximo setênio. É interessante que sejam incentivados neste momento o contato com a arte e com a espiritualidade, desde que sejam experimentados de forma natural e espontânea, sem cumprir uma obrigação. Explicar e reforçar o caráter positivo da diversidade humana também contribui para ampliar a visão de mundo evitando recorrer a estereótipos sociais e raciais, por exemplo. Neste setênio estamos mais dispostos a aprender sobre o mundo e estimular o lado bom de sermos diferentes ajuda na formação de uma visão conciliadora.

A primeira crise de identidade: dos 14 aos 21 anos

A chamada “primeira crise” de identidade chega com a adolescência. O papel dos mediadores neste setênio passa a ter menor influência e o jovem começa a delimitar com mais atitude sua necessidade de espaço e de ser ouvido. Os processos de desenvolvimento do corpo estão caminhando para a estabilidade da fase adulta, estamos já com a altura que vamos ter para toda vida, por exemplo.

Os amigos e os demais espaços que o jovem frequenta passam a ocupar mais destaque em sua interpretação da realidade e na forma como busca resolver os conflitos que se apresentam.

Ocorre uma tendência em querer fazer parte de tribos ou grupos distantes da família e as emoções são experimentadas com grande intensidade, tudo é 8 ou 80.

Expressar sua sexualidade e suas ideias é algo muito importante para o jovem. Ambas constituem uma via de acesso ao autoconhecimento e proporcionam as primeiras lições sobre como vencer obstáculos.

O sonho com o protagonismo e com o futuro tomam conta do dia-a-dia deste jovem que está cheio de hormônios e aspirações profissionais.

O grito de independência: entre 21 e 28 anos

A necessidade de autoafirmação chega ao seu ponto máximo neste setênio. O começo da idade adulta. Pela primeira vez buscamos por alguma estabilidade emocional e profissional. A conquista de um espaço privado, longe da casa da família, e por uma posição no mercado de trabalho são objetivos deste ciclo e encontram nas pressões da sociedade um desafio para que o “eu” compreenda quais decisões tomar.

Dependendo da forma como o jovem adulto experimenta sua entrada no mercado de trabalho, pode passar por um quadro de ansiedade em relação a que rumo tomar.

Este é o setênio em que damos nosso grito de independência e buscamos conquistar nosso lugar no mundo.

Ser Produtivo versus Ser Feliz: dos 28 aos 35 anos

As crises neste setênio passam de identidade para questionar o sentido de nossa própria existência. Duvidamos de nosso papel no mundo, experimentamos intensos momentos de impotência, frustração e angústia. Somos levados a entender que só existem duas escolhas possíveis: a completa anulação de nossos desejos em prol da produtividade ou a vida totalmente instável buscando a realização através da felicidade.

Ocorre então a “crise dos 30” pela qual passamos a duras penas para conseguirmos sair fortalecidos e mais maduros. Este setênio nos coloca de frente para uma oportunidade única de transformação da nossa visão de mundo. Não precisamos gritar para afirmar nossa independência, mas ainda não estamos seguros de que nossas escolhas nos levarão para a direção que gostaríamos.

Temos uma preferência pela adaptação, para nos encaixarmos a um determinado grupo, buscando por alguma experiência de espiritualidade que abra nossa mente ao equilíbrio.

É o setênio dedicado à “faxina geral” em que reorganizamos nossas crenças e valores de forma a viver mais adaptados à realidade que estamos criando.

E agora, o que vem depois? dos 35 aos 42 anos

Todas as lições que incorporamos dos setênios anteriores se somam e repercutem neste setênio, o que podemos dar ao mundo? É o sentimento de autenticidade que passa a ser questionado neste período.

Geralmente, neste ciclo, já temos uma vida privada estável e conseguimos um espaço para atuar profissionalmente. Com esses dois âmbitos bem resolvidos, o que mais vem pela frente? Temos a tendência em dar uma freada no ritmo acelerado da rotina e começamos a pensar no que podemos contribuir que tenha significado para o mundo, que tenha a ver com a nossa essência.

Quando Rudolf Steiner propôs a teoria dos setênios a expectativa de vida era diferente, hoje em dia temos uma longevidade maior, há espaço para novas experiências e reflexões.

No Sistema ISOR® costumamos falar que é a fase prestadia, quando damos mais sentido á nossa vida através da emergência de maior generosidade e passamos a beneficiar pessoas como uma forma de expandir e ampliar atividades para um campo maior de atuação, o que por sua vez é a forma mais eficaz de obtermos felicidade e bem estar.

O foco continua em mim ou passo a ajudar os outros: dos 42 aos 49 anos

Diante de uma transformação profunda e profícua, estamos dispostos a passar a vida a limpo. Agora, que todas as crises estão distantes no passado, elas já não são relembradas com a mesa gravidade, é possível deixar a bagagem pesada para trás e recomeçar mais leve.

Você entende a necessidade da mudança e agora se sente mais bem preparado para conduzi-la. Consegue colocar em prática seus objetivos e metas, sabe o que precisa fazer para persistir e voltar a ter foco. Mesmo assim, ainda revive algumas experiências, começa a sentir um pouco de saudade dos velhos tempos e até busca reencontrar pessoas ou lugares do passado.

O futuro parece um pouco mais amedrontador, alguns estigmas da velhice soam estranhos, os cabelos brancos aparecem com força total e é preciso desenvolver muito a autoestima para superar este final de juventude.

É ainda um setênio em que nos deparamos com algumas contradições, muito embora estejamos melhor preparados para contorná-las.

Está tudo tão diferente! dos 49 aos 56 anos

O mundo no qual nascemos e crescemos está completamente mudado. E que ótimo que as coisas evoluíram! Quando mantemos uma imagem positiva da nossa existência, conseguimos olhar para os outros e entender também o que eles pensam de tudo isso.

A sensação de segurança é maior e com isso temos vontade de atuar em benefício do outro. Causas humanitárias encontram espaço em nossa vida, passamos a nos engajar para manter um clima harmonioso ao nosso redor e buscamos contribuir com um mundo melhor.

Nosso senso moral adquire mais influência em nossas decisões, a maturidade é vivida com plenitude e ainda há espaço para descobrir algo novo.

A história da minha vida: dos 56 aos 63 anos em diante

A partir deste setênio contamos e recontamos a história da nossa vida através de nossas lembranças e nos servindo das imagens positivas que fomos construindo em cada ciclo.

É o momento de vivenciar a Sabedoria e valorizar o tempo. Talvez haja espaço para arrependimentos ou frustrações, é exatamente este espaço que deve ser ocupado com atividades prazerosas e que possam mudar o rumo da história que estamos contando a nós mesmos. Manter a mente e o corpo em atividade é fundamental para encontrar o equilíbrio nesta fase.

Já identificou em que setênio você está? Conseguiu observar as oportunidades para aproveitar ao máximo as lições do seu ciclo?

Entenda que você está em um processo de desenvolvimento e evolução contínuo. O Coaching, o Mentoring e o Advice da metodologia ISOR® incorpora a essência dos ensinamentos da teoria dos setênios que ajudam a identificar na nossa vida o que precisa levar em conta e tomar com atenção para aprender com as oportunidades e vivenciar uma necessária transformação a cada novo ciclo.

O desconhecimento dos processos evolutivos humanos se constituem num verdadeiro obstáculo na vida das pessoas, pois não evoluir para o ciclo seguinte se constituem muitas vezes numa estagnação de vida, uma espécie de vazio existencial que não é preenchido, o que por sua vez gera depressões, angustias, somatizações no campo da saúde física, mental e espiritual.