Comunicação Não Violenta: uma prática que melhora a qualidade de nossas relações

A maneira como nos comunicamos com interlocutores diz muito sobre quem somos; a CNV aperfeiçoa nossos pensamentos e comportamentos, propiciando autoconhecimento e respeito ao próximo

A comunicação contribui significativamente para a construção e manutenção de relações pessoais e profissionais. Isso implica usar o vocabulário como uma ferramenta para erguer pontes e não muros. A Comunicação Não Violenta (CNV) é mais que um conjunto de regras para evitar gafes, caracteriza-se como uma abordagem que guia as conversações e molda nossa mente e comportamento. Antes de falarmos, é importante nos colocarmos no lugar do outro para comunicar sem agressões, estimulando o afeto, a empatia e compreensão.

Segundo Marshall Rosenberg, autor do livro “Comunicação não-violenta: Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais” (2006), a CNV é ancorada em habilidades de linguagem e comunicação que reforçam a capacidade de continuarmos humanos, mesmo em condições adversas. Pela Comunicação Não Violenta, é possível observar comportamentos e condições que nos afetam, a partir de uma escuta profunda de nós mesmos e dos outros.

Aplicar técnicas de CNV também é um meio para estimularmos nossa inteligência emocional. Antes de falarmos ou explodirmos diante de qualquer situação, seja estressante ou não, é recomendável fazermos uma autorreflexão sobre a melhor maneira de comunicar nossas intenções. Assim, a fala terá um impacto mais eficiente sobre o outra pessoa. De nada adianta, portanto, partir para agressões verbais, palavras acusatórias, pois tudo isso tende a retornar para nós.

Você sabe como ouvir?

A Comunicação Não Violenta ensina a ouvirmos com mais atenção e respeito. Quando nos é dirigido algum comentário que desagrada, perturba, podemos, sim, passar por cima sem nos ofendermos ou nos machucarmos e até mesmo sem guardar mágoas. Saber ouvir é, antes de mais nada, entender quem é o emissor, seu contexto e o que o levou a dizer determinada fala. Com essa atitude, podemos elaborar a réplica com uma comunicação desprovida de violência. Não estamos engolindo sapos, apenas não estamos sintonizados com a energia de alguém que ainda não está no caminho desse crescimento pessoal. Podemos expor nossas opiniões sem causar confrontos desnecessários e desgastantes.

Por isso, a Comunicação Não Violenta é interessante trabalhar com crianças e até mesmo adolescentes. Ela se populariza em um momento importante de nossa humanidade. Muitos países, por exemplo, ainda veem o outro, o estrangeiro, como uma ameaça à sua estabilidade, à sua cultura, ao seu cotidiano. A CNV promove o entendimento de que o outro não é rival, pode contribuir e colaborar para algo muito maior do que o egoísmo. Com esse pensamento, olhamos para o outro e identificamos o que temos em comum e não no que somos diferentes.

Entender o outro como alguém que tem subjetividades e características que fazem dele um sujeito único é fundamental para as novas gerações e também para as atuais viverem em harmonia com o nosso tempo. Então, apresentar às crianças as possibilidades da CNV faz com que estejamos educando cidadãos mais empáticos e humanos.

Autoconhecimento: a consciência de quem somos

Quando fazemos uso da Comunicação Não Violenta, conseguimos entender o outro e o seu comportamento. Isso tudo é prática, um processo, é algo que aprendemos no convívio social, onde, muitas pessoas, fazem questão de evidenciar certas características que podem irritar outras pessoas, sendo um gatilho para relações mais conturbadas. Nesse momento, o ideal a fazer é parar. Sim, pare por alguns instante e se pergunte: ‘Por que essa pessoa me irrita tanto?’ ou ‘Por que o jeito de ser dessa pessoa me incomoda?’.

Ao parar e se perguntar essas ou outras questões, você estará permitindo uma reflexão sincera sobre você mesmo e estará aprendendo a se autoconhecer. O autoconhecimento é fundamental para nossa evolução pessoal e espiritual. Entender como funciona nosso jeito de agir e por que ocorre de determinada maneira permite um crescimento que melhora significativamente o convívio social e profissional. O autoconhecimento permite visualizar o mundo com mais consciência e, consequentemente, nosso lugar no mundo também será mais consciente, sobretudo porque conseguimos estabelecer relações produtivas conosco e com o outro.

O autoconhecimento acalma o turbilhão de emoções e, mais importante, possibilita que consigamos perdoar – o outro e a nós mesmos. Quando aprendemos sobre nós, conseguimos lidar com emoções, impulsos, canalizando-os para áreas produtivos da vida. Conseguimos identificar tudo aquilo que nos faz bem e, assim, cuidamos (e acolhemos) melhor de nós e de quem está ao nosso redor.

Escolha a mudança

Aprender a comunicar de forma não violenta é uma maneira de nos reinventarmos e melhorarmos enquanto seres humanos. Quando conseguimos alcançar esse patamar, entendemos que tudo começou a partir de uma escolha, uma vontade genuína de mudar para ter uma vida mais plena e verdadeira.

Mudar internamente gera crescimento, que propicia aprendizado e que melhora a relação conosco e com o outro. Mudar internamente oportuniza identificarmos quais necessidades devem ser atendidas para termos uma vida com mais amor e sentido. Mas, acima de tudo, nos ensina a agradecer.

Aplicar efetivamente a Comunicação Não Violenta também melhora nossa espiritualidade, porque entramos em contato conosco, ou seja nossa essência, fazendo com que encontremos significados para nossa vida e alcancemos nossas verdades. Isso facilita o desenvolvermos de resiliência, capacidade fundamental para enfrentarmos obstáculos e dificuldades, sem nos prostrarmos diante desses revezes.

Aplicar a CNV melhora sua vida!

A CNV é, portanto, uma mudança positiva em nossa vida. Além de todos os benefícios que proporciona, é importante mencionar na sensação de paz interna e felicidade. Sim, ficamos em paz porque conseguimos expandir nossa inteligência emocional, nos conhecemos e sabemos como lidar de forma civilizada e afetuosa com o outro, sem nos menosprezarmos, mas com a devida dose de compaixão.

Tomar posse dessas conquistas é crescer pessoalmente, mas, acima de tudo, é conectar a nossa comunicação com esses valores e sentimentos, tornando-nos pessoas mais coerentes e deixando nossos caminhos abertos para relações mais humanizadas. É uma prática que precisa ser estimulada diariamente até se tornar automática em nossa vida.

Para que a CNV faça sentido, de acordo com Rosenberg (2006):

Observe e não julgue;

Diferencie sentimentos de não sentimentos;

Pratique empatia;

Aprenda a fazer pedidos;

Expresse-se e receba com empatia por meio desses quatro componentes. Se tiver alguma dúvida sobre como colocar em prática algum desses passos, você pode procurar ajuda de algum profissional da área da psicologia.