Comunicação Não Verbal: Falar Sem Dizer Nada!

Você sabia que a comunicação não verbal pode ter um impacto maior do que aquilo que você está dizendo? A comunicação não verbal é falar sem dizer nada! Vamos ver primeiro o que é comunicação. Depois vamos trocar umas ideias a respeito da comunicação não verbal e sua importância no Coaching.

O que é Comunicação?

Comunicação humana é um processo de troca de informações e interações no qual compartilhamos informações, conhecimentos, ideias, emoções, e pelo qual afetamos e somos afetados, bem como interferimos na vida das pessoas.

A comunicação é o centro gravitacional das atividades humanas e uma das formas mais importantes de interação entre as pessoas. Nada acontece sem que haja comunicação. Aliás, toda a natureza é feita de interações entre todos os seres, de todas as formas, formando matéria, luz, cores, sons, formas, movimentos.

Comunicação é uma palavra derivada do termo latino “communicare“, que significa “partilhar, participar algo, tornar comum”.

Através da comunicação os seres humanos partilham informações entre si, sendo de vital importância para integrar e desenvolver.

O processo de comunicação consiste na transmissão de informação (mensagem) entre um emissor e um receptor que decodifica (interpreta) uma determinada mensagem através de códigos (sistemas de sinais) em base a um canal de comunicação.

No processo humano de comunicação, esta mensagem pode ser levada através de código verbal (palavra, escrita), não verbal (expressões corporais) ou factual (através das ações).

No decorrer do processo comunicativo podem ocorrer ruídos, caracterizados por tudo aquilo que afeta o canal, perturbando a perfeita captação da mensagem (por exemplo, falta de rede no celular).

Comunicação Verbal e Não Verbal

Comunicação verbal é feita através da linguagem falada ou escrita, característica predominante dos seres humanos.

Comunicação não verbal engloba o uso da linguagem corporal, quando o indivíduo é capaz de se expressar utilizando o seu corpo, através de expressões faciais, posturas corporais, distâncias físicas e gestos que são, em sua maioria, de caráter inconsciente ao comunicador.

Entendemos também como comunicação não verbal todos os tipos de simbologia textuais, como placas, gráficos, aparências, cores, desenhos, entre outras imagens que agem como transmissoras de informações, emoções e sensações. Exemplo: placas e sinais de trânsito.

A comunicação verbal está sempre ligada à comunicação não verbal. Por exemplo: quando alguém fala, dizemos que seu corpo também fala, pois executa movimentos com as mãos, com o rosto, com a postura, que falam de sentimentos e emoções.

Tipos de Comunicação Não Verbal

Existem quatro principais campos na comunicação não verbal:

  • O espaço ou ambiente físico que a pessoa usa para se comunicar. Observe onde a pessoa fica, como dispõe os móveis, os objetos sobre a mesa, a decoração que usa, os objetos e ferramentas de trabalho, etc. Aborda também aspectos como a proximidade relativa aos interlocutores e suas implicações. Aqui vale observar a distância ou proximidade no decorrer da inter-relação, p. ex., ao cumprimentar, ao dar um abraço.
  • Paralinguagem: qualidade da voz, a entonação de voz, o volume, a velocidade, as pausas; p. ex: num discurso ou representação, a ênfase ou não ao narrar algo.
  • A aparência física do comunicador, responsável pelas “primeiras impressões”, p. ex.: limpeza, tipo de vestimenta, cabelos, unhas, formalidade ou informalidade.
  • Cinésica: trata dos movimentos executados pelo corpo, destacando as expressões faciais, os gestos – que podem variar de acordo com a cultura do emissor ou busca de adequação ao receptor; (p.ex.: as expressões corporais ao falar ou brincar com criança, ao dirigir-se a um homem ou a uma mulher, a timidez ou confiança, expressão mais contida ou expansiva, etc.).

A Comunicação Não Verbal e o Coaching

É de suma importância para um Coach o treinamento para observação da comunicação não verbal. Acontece que tudo que é falado é sempre acompanhado de alguma expressão não verbal. E é esta que revela o grau de conformidade e coerência do que é falado.

O que é falado revela o lado racional da pessoa, o que pensa, quais os seus referenciais, suas crenças, sua estrutura mental, seu nível de escolaridade. E revela também seu “recheio mental”, isto é, tudo que aprendeu na vida, a maior parte se escondendo no inconsciente, cujo acesso somente se pode chegar, progressivamente, com muito esforço e cultivo pessoal.

Acontece que todo este “recheio mental” vem acompanhado de profundas marcas emocionais, provenientes dos “pode e não pode”, dos “certo e errado”, dos “feio e bonito”, dos agrados, dos carinhos, dos castigos, das ameaças, dos medos – um infindável reservatório de cargas emocionais, pronto a ser acessado dando força e impulsão a tudo que é comunicado verbalmente.

E aí entra a importância da comunicação não-verbal e de sua interpretação consciente. Ela é importante tanto quando a pessoa toma consciência de suas próprias expressões não verbais, como forma de ampliar a consciência sobre si mesmo, quanto para aprender a observar as expressões não-verbais de seu interlocutor.

Este é o ponto que quero aqui destacar como de suma importância para um coach ou mentor. O corpo de seu coachee ou mentorado fala mais do que sua fala.

É comum, por exemplo, o cliente falar, falar, se justificando. A expressão corporal é que vai revelar a carga emocional que está por trás. Um pequeno exercício de centramento com o cliente poderá permitir-lhe adquirir maior clareza sobre o assunto em pauta, levando-o a perceber um pouco mais o que vai em seu interior.

É através da comunicação não verbal que melhor se evidencia o que vai lá no interior da pessoa. E aqui está o cerne do processo de aprendizagem: aprender a se auto perceber, a tomar consciência do porquê de sua impulsividade ou de suas racionalizações, aprender sobretudo a tomar consciência de si.

Aqui vai uma observação muito rica em nosso trabalho. A razão, tanto a que provém de estudos e reflexões quanto a determinada por nossas crenças e paradigmas, provoca reações emocionais positivas de ânimo, alegria, motivação, ou reações negativas de desânimo, tristeza, medo. Mas essas reações emocionais influenciam enormemente o raciocínio, a aprovação ou negação de algum conceito ou enunciado. E é na observação da comunicação não-verbal que se pode captar estes sinais.

Portanto, é importante tomar consciência de que o que determina uma ação, uma prática, a execução de alguma coisa tem dois lados que atuam simultaneamente: o comando de alguma ação pode ser de ordem racional ou de ordem emocional. O comando racional costuma se apresentar como ponderado, aberto a questionamentos, a outros pontos de vista, ou frequentemente se perde no detalhismo.

O comando emocional, por sua vez, é impulsivo, imediatista, às vezes até caótico, ou vai para o outro extremo, tem medo de assumir, é titubeante, inseguro. E isto se revela no gestual, nas expressões faciais, no olhar – no não verbal.

O importante é aprender a juntar as duas pontas, ambas determinantes num processo de desenvolvimento, seja pessoal, seja profissional. A tomada de consciência das reações emocionais através da observação do não-verbal é o que determina a caminhada positiva da relação prestadia do Coach com seu Coachee.

E é a comunicação não verbal que mais fala sem dizer aparentemente nada. Aprender a leitura do não verbal é o que determina o sucesso de nossas atividades. É preferível pouco falar e muito promover a ampliação da consciência do cliente. E este é o verdadeiro caminho para expandir a felicidade e a alegria do bem viver e do atingimento de sonhos, metas e objetivos.