Autossabotagem: você está impedindo o seu próprio sucesso

A autossabotagem parece um processo absurdo, quando não sabemos como ela opera. Nós boicotamos o nosso progresso?

Pois é, acontece que eu, você e quase todo mundo vivemos fazendo isso praticamente todo dia. Mas como é possível?

Vivemos preocupado com o que os outros vão pensar: O que vestir? O que falar? Como fazer? E se não der certo? E se dermos uma bola fora?

Então, saímos pela tangente, cultivando pensamentos como: “Estou nem aí!”, “Não me importo, não estou precisando mesmo…” “Eu não disse que ia dar errado?” “É, hoje não dá mais. Que tal amanhã?”

Neste artigo, vamos entender mais um pouco sobre esse processo de autossabotagem, como ela tem relação com o medo e, ainda, seus aspectos culturais. Boa leitura!

O que é Autossabotagem?

Pode-se entender a autossabotagem como um comportamento sustentado por crenças limitantes, que resultam em atitudes e ações que são prejudiciais a si mesmo e/ou a outras pessoas.

Em outras palavras, autossabotagem acontece quando alguém faz de tudo para que suas próprias ações não deem certo. E tem mais: geralmente, ela é acompanhada de belas desculpas e explicações.

Podemos dar alguns exemplos de autossabotagem, como:

  • Ter medo de atrair atenção;
  • Querer ansiosamente chamar a atenção;
  • Ter medo do julgamento que pode vir a ter;
  • Ter medo de não dar conta do serviço;
  • Querer ser sempre original;
  • Ser imediatista, querer tudo na hora;
  • Ser perfeccionista;
  • Ter uma autoimagem negativa ou muito instável;
  • Ter medo de assumir os riscos – “tem que dar certo, senão…”

Autossabotagem e o Medo

Acredito que já deu para perceber: parece que tudo tem a ver com medo. E tem mesmo. Lá no fundo, é o medo que nos inibe compromissos, responsabilidades para nós mesmos, para os outros e para a comunidade na qual vivemos.

Por termos medo, não acreditamos em nós mesmos, que somos capazes. Por ter medo e não acreditar no nosso potencial, acabamos fazendo de tudo para que outras pessoas tenham fé no que fazemos.

autossabotagem

O medo é uma energia negativa que bloqueia o fluxo de energia criativa, realizadora e relacional. Quando estamos sob a ação do medo, é como se nuvens encobrissem nossa visão, tirando nosso sentido de direção e criando mecanismos de fuga.

Nesse contexto, vemos que, por trás do medo, existe uma cobrança. Há sempre alguém cobrando algo, que gera o medo de errar, de não corresponder à expectativa de outrem, medo de castigo.

E ainda, há o medo da exclusão do grupo, da separação, da não aceitação por parte da mãe, do pai, dos irmãos, do grupo familiar, da equipe, do time, da comunidade.

Cultura da Autossabotagem

Hoje, vivemos numa cultura essencialmente dicotômica.

Em outras palavras, acreditamos em bom e mau, certo e errado, bonito e feio. Somos educados a ter sempre que escolher. Se escolhemos o que é tido como certo, somos recompensados e aceitos pelo grupo. No entanto, se escolhemos agir de forma tida como errada, somos castigados, excluídos. Precisamos nos sentir culpados, feios, incompetentes e por aí afora.

Mais do que isso, somos educados a estar sempre nos comparando. “Será que nisso sou melhor? Quem é melhor que eu? Será que consigo ganhar?”

Assim, passamos a assumir uma atitude julgadora. Julgadora de nós mesmos e dos outros. E isso gera o medo de não ser aquilo que esperam, de julgamentos, da sensação de ser menos digno, menos competente, etc. Dessa forma, uma cultura individualista é gerada, do “quem pode mais chora menos”.

Outro ponto interessante é que a palavra indivíduo significa não dividido. Portanto, um indivíduo é parte de um todo maior, onde todos são um e todos pertencem uns aos outros num todo maior.

Mas em nossa cultura o indivíduo é dividido, é alienado dos demais, pois está sempre julgando os outros e com medo do julgamento que os outros têm de si. Segundo os meus padrões (paradigmas) o outro pode estar certo e eu errado ou vice-versa.

Não somos companheiros em busca da verdade. Nessa cultura um sempre é melhor ou pior que os outros. Na verdade, um é separado dos demais.

Por fim, isso produz vibrações energéticas negativas tais como suspeita, ciúme, hostilidade, raiva, vingança, ganância, inveja. E medo!

Conclusão

Quando você se autossabota, você se sente sozinho, separado dos outros, com medo de não atender expectativas, de ser de novo excluído do grupo, de ser desprezado, vaiado, mal falado.

Mas existe saída para isso? Basta mudar a maneira que olhamos para nós mesmos, para as outras pessoas e para o mundo. Nos olhamos e vemos o que? Uma pessoa que não consegue lidar com o sucesso, que se boicota e se autopune? Ou um ser repleto de potencialidades?

Álvaro de Faria dizia: “Precisamos a aprender a olhar o avesso das coisas. Esquerda e direita, o certo e o errado, tudo isso é o lado de fora, é a mesma coisa, somente que com um viés diferente. Se olhamos para fora, ficamos olhando o certo e o errado.  Mas, se olhamos para o avesso, para dentro de nós, é ali que encontramos o verdadeiro ser, para além das aparências.”

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É ali dentro, no seu íntimo, que você pode resgatar seus medos, suas feridas, seus complexos, seus insucessos, suas autossabotagens.

No seu íntimo, é que a fonte criadora de tudo, a energia ordenadora de tudo em você e a seu redor, é ali que está todo o seu infinito estoque de potencialidades.

Dessa forma, você vai encontrar o único verdadeiro antídoto do medo, que é o amor. O amor por si mesmo, o amor pelo outro, o amor pela vida.

Além disso, é também ali que encontrará força para superar seus surtos de autossabotagem. É ali que está a fonte de sua autoestima e de sua postura de respeito e amor pelas pessoas de sua convivência e pelo mundo em que vive.

E é ali que você descobrirá o verdadeiro sentido de vida, com alegria de viver e compartilhar vida, sem precisar se comparar a ninguém e sem julgamentos que o afastam das pessoas que você quer amar.