As 7 armadilhas que travam a sua vida

 7 principais armadilhas que costumam travar nossos bons propósitos, dificultando uma vida mais feliz, produtiva e agradável na convivência, sobretudo com as pessoas mais próximas.

Passamos a vida procurando a felicidade, mas não nos atentamos às armadilhas que nos travam. A grande maioria das pessoas acredita que para ser feliz é necessário ter bens, ter determinada pessoa e com isso condiciona a felicidade. No entanto, existe um termo denominado felicidade incondicional, que não depende de possuir nada e ninguém. É a que está dentro de nós, e é uma questão e escolha nossa acessá-la.

Uma expressão popular muito difundida e que expressa bem, de forma ao mesmo tempo jocosa e dramática, uma angústia das pessoas frente às mais diversas situações vivenciais e armadilhas: Temos um anjo soprando em nosso ouvido direito, dizendo o que é justo, bom e bonito; e temos um demônio soprando em nosso ouvido esquerdo, nos aliciando para o que é prazer egoístico, para o lado “mau”.

Em nosso íntimo, sentimos sempre esta dualidade: faço ou não faço, devo ou não devo, posso ou não posso… No começo do ano fazemos nossos bons propósitos, que geralmente ou são esquecidos, ou são apenas postos parcialmente em prática – e depois temos uma sensação de culpa, de estar em dívida para nós mesmos e com outras pessoas.

Todos estamos, a cada momento e a cada ação, buscando ser felizes e fazer o melhor possível. O que nos desvia disso? O que nos dá frequentemente a sensação de fracasso, seja nas relações familiares, nos negócios, na carreira ou nas condições financeiras?

Vou apresentar a você as 7 principais armadilhas que costumam travar nossos bons propósitos, dificultando uma vida mais feliz, produtiva e agradável na convivência, sobretudo com as pessoas mais próximas.

As 7 Armadilhas

Armadilha 1

Falta de uma visão mais ampla

De modo geral, vemos o mundo, as instituições e as pessoas de forma dicotômica. Julgamos o que vemos e assistimos como bom ou mau, como certo ou errado. Nossas crenças, geralmente pouco conscientes, é que determinam nossas ações. E se essas crenças são limitadoras, é com elas que justificamos nossos impasses, nossos conflitos, nossas intransigências…

É com nossas crenças que julgamos a nós mesmos e aos outros, e não pense que são somente as pessoas com pouca educação formal, não. Pessoas estudadas, diplomadas, doutores, engenheiros, professores – no dia a dia são direcionadas por essa visão de mundo limitada. As pessoas são levadas a agir e julgar segundo suas

ideologias, seus dogmas ou, quando especialistas, só veem segundo a viseira de sua área restrita, mesmo que aprofundada.

E aí o anjinho na orelha direita fica alertando: “cuidado, isto não é bom, isto não está certo, pensa mais um pouco, cai fora que isto não cheira muito bem”. E aquele diabinho, empoleirado na orelha esquerda, atiça: “vai em frente, você só sai ganhando, você pode, sim, esqueça, passa a mão e toma conta, está no papo, dane-se o resto.” Na verdade, estas visões restritivas não permitem que tenhamos opções próprias.

Nós estamos sempre dependendo da aprovação de quem controla nossas crenças, nossas ideologias, nossos preconceitos que nos afastam cada vez mais de sermos felizes.

Só há um caminho: ter coragem de encarar essas limitações em nossa mente. À medida que abrimos o leque de nossas crenças, o mundo se torna maior para nós, as possibilidades se multiplicam, passamos a nos aceitar melhor e a aceitar melhor as outras pessoas.

Nos tornamos pessoas mais amáveis, tolerantes, saberemos dialogar em vez de discutir acaloradamente, não nos apegaremos a nossas ideias… Mas saberemos ouvir mais, compreender e aceitar melhor as pessoas. As nossas crenças podem nos levar ao “céu” ou ao “inferno.” Mais do que isso, as nossas crenças nos transformam naquilo que somos a cada momento.

Armadilha 2

Prisão ao passado

Nossa vida é um constante fluir, uma passagem pelo tempo, deixamos de viver o presente para ficarmos presos ao passado, mas tudo apenas acontece agora e aqui mesmo onde estamos. O passado não existe no agora. Já foi. 

Da mesma forma, não existe lugar melhor nem pior do que este onde estou agora, este é o único lugar que posso ocupar neste instante. Pessoas e coisas estão conosco, mas não são nossas. Se nós nos apegamos a elas, preparamos o sofrimento da separação. 

Quando nossa mente se prende ao passado, ficamos desfocados da realidade, que só existe no presente. Ter saudade é até bom, mas ela não pode nos prender, seja no que foi agradável, seja no que foi desgostoso ou carregado de mágoa. Isto nos deixa patinando, não aprendemos com o presente, não evoluímos. E a tendência é o julgamento. 

Podemos ficar na mão de alguém que julgamos uma pessoa muito boa porque ela nos deu um presente, nos tratou bem no passado, e agora pode nos explorar e mesmo nos chantagear. Ou julgamos uma pessoa por algum preconceito ou por uma ação que nos ficou na memória como desagradável ou ruim, o julgamento nos impede de fazer uma avaliação correta no presente e de termos uma postura condutora leal e eficaz. 

Estar presente no Aqui e Agora é saber aproveitar cada instante, desfrutar dele e aprender com ele. É estar aberto para aprender com cada pessoa a cada momento,  viver passa a ser então um enriquecimento contínuo. “Errar é humano”, sim. Mas podemos aprender com os erros, se estivermos “Aqui e Agora” atentos a eles,

buscando novos caminhos, com mentalidade criativa e solucionadora.

Mas, este enriquecimento pessoal depende de uma atitude interior que determina nossa vontade: Qual a nossa intenção neste momento? Qual a abertura de coração que temos?

A prisão ao passado faz com que nossa intenção básica seja de tirar proveito pessoal de tudo, então nos fechamos para entreajuda, para colaboração, para mentalidade participativa e servidora, e deixamos de viver o momento presente.

Armadilha 3

Medo do Futuro – Viver Ansioso

O futuro também não existe no agora, ele ainda será. A mesma coisa de ficar preso ao passado é ficar preso no futuro, cheio de ansiedades e medos. Esta atitude nos leva a fugir do presente e pode até mesmo nos tornar irresponsáveis pelo que está acontecendo.

O medo do futuro, do amanhã, nos torna ansiosos. A ansiedade é uma característica do ser humano que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso e outras alterações associadas à disfunção do sistema nervoso.

Ter medo do futuro provoca ansiedade e esta faz com que a pessoa perca uma boa parte de sua autoestima, ou seja, ela deixa de fazer certas coisas porque se julga incapaz de realizá-las. Dessa forma, o termo ansiedade está relacionado à palavra medo, a pessoa passa a ter medo de errar quando da realização de diferentes tarefas, sem mesmo chegar a tentar. O medo do futuro, que nos torna ansiosos, é a terceira armadilha que trava nossos bons propósitos, dificultando o acesso a uma vida mais feliz.

Deixamos de viver o presente, que é o inestimável presente que a vida nos proporciona. A razão pela qual nós sofremos é o desejo fora de hora, o hábito de estar sempre querendo antecipar o futuro, querendo mais e mais, ou de estar relembrando o passado, sem nunca aproveitar o momento presente.

Se nunca estamos satisfeitos com o momento de agora, estamos sempre querendo alguma outra coisa, e essa é a principal causa do sofrimento. Se estivermos presentes, vivendo completamente o momento, não haveria “querer” e “não querer”. Estaríamos em plenitude.

Apagar um desejo, nesse sentido, significa libertá-lo. Quando abandonamos o apego ao “eu quero” e “eu não quero”, nossa vida entra em equilíbrio. Estamos, finalmente, livres.

Não precisa apagar os seus desejos, porque eles são uma motivação necessária para a vida. Apenas desapegue-se de estar sempre querendo algo mais e deixando de viver o momento presente, e deixando assim, de viver a vida.

Armadilha 4

Falta de confiança em si, não conhece seu potencial ou desconhece que há um potencial

Os deuses da Grécia Antiga, temerosos de que os homens descobrissem seu próprio potencial e ciumentos de que assim pudessem chegar ao nível deles (deuses), realizaram uma longa reunião para decidirem a maneira mais concreta de ocultar dos homens esse potencial.

Várias foram as propostas: Houve quem pensou em esconder o potencial humano nos abismos mais inescrutáveis dos oceanos, mas foi lembrado de que, no futuro, o homem penetraria o fundo dos mares. Apresentou-se, também, quem propôs ocultar este potencial nas montanhas mais altas da Terra, mas tal proposta não foi

aceita porque o homem, em um dia não muito distante, as escalaria. Outro sugeriu esconder tal riqueza humana na Lua, mas salientou-se que o homem no futuro também chegaria lá.

Por fim, todos aceitaram uma estranha proposta: todo aquele poder incomensurável, o potencial humano deveria ser escondido dentro do próprio homem. Como justificativa para tal resolução os deuses disseram: “O homem é tão distraído e  para fora de si que nunca pensará em encontrar seu potencial máximo dentro do

seu próprio ser.”

Potencial é poder, força armazenada, energia não usada, habilidade esperando ser utilizada. Potencial é tudo aquilo que você pode realizar, mas que ainda não realizou. Olhe para você: já deu o seu tudo, o seu todo? Se não, então há potencial em você! 

Potencial é o seu todo, é tudo que você tem – é todo o seu poder. Enquanto

houver algo não utilizado, não revelado, não realizado, não compartilhado em você, então haverá potencial.

Use, pois, o seu potencial. Ele está aí, dentro de você, esperando sua utilização, sua realização. Acredite no seu potencial, tenha confiança em si, treine sua mente para vencer, não tenha medo de alcançar seus objetivos, não permita que desconhecer seu potencial seja mais uma trava que te impeça de viver e ser feliz.

Armadilha 5

Pensar só em si mesmo, não perceber como relacionamentos e posturas generosas podem melhorar a vida e o gosto pela vida

Pensar só em si mesmo é egoísmo. Egoísmo é apego aos próprios interesses, comportamento de quem não leva em consideração os interesses dos outros, tornando-se a única referência sobre tudo. 

Vivemos em um mundo em que predomina o egoísmo, onde as pessoas valem mais pelo que aparentam ter do que pelo que realmente são. No meio de tudo esquecemos a generosidade. 

Generosidade é a liberalidade do espírito, é desprendimento, é dar sem esperar receber, é desapego. É generoso quem se coloca no lugar do outro. Quem é generoso é paciente, é sincero, é amoroso, é cuidadoso com as palavras, não fere a alma dos outros, não se conduz inconvenientemente, respeita as pessoas e se preocupa com elas. A generosidade é o amor em movimento.

Ser generoso não quer dizer sacrificar a própria vida, causando sofrimento para si e para os que dependem de você. A pessoa deve ser generosa dentro de suas condições e ninguém deveria “olhar feio” para alguém cuja condição o impede de mostrar generosidade do modo mais óbvio, que é com a oferta de apoio material (comida, roupas, remédios). Se varrer o chão ou ajudar a arrumar a sala é o

que alguém pode oferecer, devemos aceitar alegremente. Ser generoso enriquece o praticante, pois ajuda a desenvolver uma atitude de desapego.

Generosidade é um conceito profundo. Uma vez que a vida de todos os seres vivos é inter-relacionada, a conclusão é uma só: precisamos estabelecer boas relações com os outros por meio da generosidade, ou seja, dando algo de nós aos demais.

Existem muitos tipos de generosidade: ela pode envolver objetos materiais, cuidados afetivos ou compartilhamento intelectual. Ensinar alguém a fazer alguma

coisa é um ato de generosidade, tanto quanto evitar que alguém pratique um ato prejudicial. A generosidade ajuda os outros a perderem o medo.

Todos os atos de generosidade são atos de sabedoria. É neles que reside a perfeita compreensão de que “eu” e “outros” são elementos interdependentes e que um não pode evoluir sem o outro. A generosidade combate o isolamento, nos ensina a encontrar os níveis profundos da mente, nos quais estamos interconectados com

tudo o que há no universo. Além disso, a generosidade ensina a desenvolver o desapego e a utilizar nosso tempo e nossa energia em favor do bem estar dos demais.

Pensar só em si é trava. Ser generoso é aplainar o caminho para viver melhor e ser feliz. A generosidade produz alegria e traz o gosto pela vida. Compartilhar é ser generoso, desapegar é ser generoso.

Armadilha 6

Deixar-se governar pelos outros, pelas opiniões e crenças dos outros, deixar-se influenciar

Vivemos em um mundo de comparações no qual constantemente nos preocupamos com a opinião dos outros. A sociedade nos forma com padrões e nos identificamos com esses condicionamentos relacionados ao dinheiro, satisfação, sucesso e felicidade. Assim, cultivamos nosso ego através de reconhecimentos que necessitamos a todo momento e precisamos ser aprovados para nos sentirmos bem. Esse é um grande erro. 

Criamos metas que, na ilusão de conquistar a felicidade e sair de nossa condição atual, na maioria das vezes é incômoda, nos fazem viver insatisfeitos e com a sensação de vazio. A opinião existe através do sistema de crenças e valores da pessoa, que foi construído com base em suas próprias experiências e aprendizados

dentro de suas percepções do que é correto.

Pensando assim, podemos perceber que cada um tem uma opinião sobre algo, baseado em sua percepção pessoal. Isso não quer dizer que é uma verdade concreta, mas a verdade daquela pessoa. Quando nos importamos com as opiniões dos outros, nos privamos de sermos quem gostaríamos de ser, mas esse condicionamento instalado em nossas mentes pode ser reprogramado.

Não devemos satisfazer o mundo exterior, porque essa busca não terá fim, mas sim satisfazer o mundo interior. A base para sermos felizes está dentro, e não fora (em reconhecimentos, aprovações e bens materiais).

Nós somos senhores de nossa vida, somos responsáveis pelo que criamos e deixamos de criar, e toda a manifestação da realidade depende exclusivamente de nós. A opinião do outro é muitas vezes distorcida por percepções enraizadas em seu ser, assim como a nossa opinião demonstra o conjunto de experiências e aprendizados adquiridos em nossa vida.

A sexta trava é deixar-se governar e influenciar pelos outros, pelas opiniões e crenças dos outros. O maior bem que possuímos somos nós, seres divinos, cada um com sua luz e dom em poder transformar a si mesmo e a humanidade através dos atos de amor e união. Temos a capacidade de nos governar, temos nossas próprias opiniões e crenças.

Armadilha 7

Querer resolver a Vida, não aceitar o momento, eterna insatisfação

Vida significa existência. É o estado de atividade incessante comum aos seres organizados, o período que decorre entre o nascimento e a morte. Por extensão, vida é o tempo de existência ou funcionamento de alguma coisa.

A vida é o que ela é, a vida não se resolve. É importante a aceitação do momento presente. Lembre-se: o que está acontecendo em sua vida no momento presente é para acontecer e sempre traz algum ensinamento, principalmente quando passamos a aceitar o momento. “O que poderia ser mais insensato do que criar uma resistência interior a alguma coisa que já é?” (pág. 37 do livro “

Poder do Agora” de Eckhart Tolle). 

A não aceitação é a sétima trava, que traz eterna insatisfação. Por isso diz Eckhart Tolle: “aceite, depois aja” (pág. 38) e “Não busque nenhum outro estado além daquele em que você está agora, do contrário, vai criar um conflito interno e uma resistência inconsciente” (pág. 189 do livro “O Poder do Agora”).

Para superar essa trava, a sabedoria é a principal virtude, pois só ela nos diz como e quando agir. Sem sabedoria, corremos o risco de querer resolver a vida, não aceitá-la como ela é e vivermos insatisfeitos. Só a sabedoria tem o poder de discernir entre o bem e o mal. Só ela pode nos levar a fazer o que é certo no momento certo. 

A sabedoria que não é utilizada em benefício do próximo nunca será

profunda, não passando então de mera ideia de sabedoria. Ela nos permite valorizar a vida do jeitinho que ela é. E dar valor às pessoas com as quais compartilhamos este momento, dar valor às coisas que temos, ao mesmo tempo em que sabemos

que estão de passagem. Pessoas e coisas estão conosco, mas não

são nossas. Se nós nos apegamos a elas, preparamos o sofrimento

da separação.

O escritor inglês Aldous Huxley, aquele do livro “O Admirável Mundo Novo”, tem uma frase muito sugestiva: “O Aqui e Agora é sempre provisório e relativo”. Querer resolver a vida é o contrário de viver a vida.

Viver a vida intensamente exige do indivíduo uma entrega na busca de experiências que visem proporcionar-lhe prazer imediato. É como se cada dia vivido fosse o último de sua existência e a vida é encarada como uma oportunidade de busca de situações que deem sentido ao lema: “A vida deve ser aproveitada ao máximo”.

Podemos citar aqui o escritor Gabriel Garcia Marques: “É necessário abrir os olhos e perceber as coisas boas dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos, nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender a sua duração, pois a vida está nos olhos de quem sabe ver.”